Resenha: Tom Cruise tenta matar Hitler em “Operação Valquíria”

19 dUTC julho, 2009, por Salvador Nogueira
3 Comentários - Arquivado em: Resenhas

operacao-valquiria-capaBaseado em fatos reais, Operação Valquíria tem um desafio: atrair o interesse de um espectador que sabe, de antemão, qual será o desfecho do plano para tentar assassinar Hitler e substituí-lo no comando do Estado alemão nos momentos finais da Segunda Guerra Mundial. Todos sabem que o ditador só morreu, por suas próprias mãos, depois que os Aliados invadiram Berlim. Então, qual é a motivação para ver este filme, além de avaliar mais uma atuação de Tom Cruise? De forma surpreendente, há várias — e a menor delas acaba sendo o desempenho até certo ponto decepcionante do astro.

Operação Valquíria (2008)
Valkyrie
MGM/UA (Fox)
De Bryan Singer
Com Tom Cruise, Kenneth Branagh, Bill Nighy, Tom Wilkinson, Thomas Kretschmann, Terence Stamp
120 minutos

Vídeo: 1080p, 1,85:1
Áudio: Inglês (DTS-HD 5.1), Francês e Espanhol (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Inglês para surdos, Espanhol, Francês, Cantonês, Coreano, Mandarim e Português
Edição:
Brasileira ou Americana

O Filme
4coroas

A história, baseada em fatos reais, começa na frente de batalha africana. O coronel Klaus von Stauffenberg (Tom Cruise), do exército alemão, trava um duelo com seus superiores a fim de obter autorização de recuar sua tropa, que corre sério risco de ser morta sem chance de defesa pelos combatentes aliados. Em meio a essa discussão, um ataque aéreo surpresa causa sérios danos e quase mata Stauffenberg — o coronel perde uma das mãos, dois dedos da outra e um olho.

De volta à Alemanha, o militar, que já era crítico ferrenho de Hitler e seu regime, entra para um grupo de insurrectos que formam uma resistência secreta ao ditador e ao mesmo tempo ganha uma promoção que o coloca no seleto grupo dos que têm acesso direto ao Führer. Nasce então um plano para assassiná-lo e usar uma estratégia secreta de contingência aprovada pelo próprio Hitler — a Operação Valquíria – para rapidamente assumir o governo e interromper imediatamente a guerra e as atrocidades cometidas pelos nazistas.

Essa história é muito conhecida pelos alemães — é basicamente a única coisa de que eles se orgulham durante a Segunda Guerra Mundial –, mas pouco se sabia dela fora da própria Alemanha. Por si só, esse já é um bom motivo para o diretor Bryan Singer e o ator Tom Cruise terem abraçado o projeto. Mas não é um bom motivo para o espectador ver o filme. Com o final previsível, Operação Valquíria tem um desafio imenso pela frente — fazer com que a audiência se preocupe com os detalhes da história, e não com seu desfecho.

Por incrível que pareça, funciona. Para começo de conversa, o filme atrai pela recriação cuidadosa e espetacular do que foi a Alemanha nazista. Mas o que talvez seja mais interessante e inteligente por parte dos cineastas, o grande suspense do filme, a partir da metade, não é mais como o plano deu errado, mas sim como o  plano não deu certo. Porque, em certo momento da história, parece claro que os insurrectos estão conseguindo seu objetivo e têm uma chance real de tomar o poder — e aí a curiosidade do público fica aguçada para saber como essa meta foi frustrada.

Pode parecer pouca coisa, mas não é. Como todo mundo já entra no filme esperando que o plano dê errado, a cabeça da audiência trabalha apenas em cima do problema de “como deu errado”. Ao jogar com isso e inverter a pergunta (“como não deu certo?”), Bryan Singer pega o público desprevenido. Funciona.

Tom Cruise não entrega aqui uma de suas mais memoráveis atuações — e até pela natureza do papel, que consiste num militar cujo principal objetivo é justamente não revelar aos seus inimigos suas verdadeiras intenções. Em compensação, o elenco montado ao redor dele é espetacular, e fica difícil apontar um ou outro destaque, sem cometer injustiças com os demais.

Por fim, é curioso vermos os “mocinhos” vestidos de soldados do regime nazista. Ajuda a refletir sobre o fato de que, apesar das atrocidades cometidas pelos alemães, nem todos na Alemanha apoiavam as loucuras de Hitler.

Junte todos esses motivos e guarde um tempinho para ver Operação Valquíria. Vale a pena.

Imagem
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Alguns resenhistas andaram fazendo críticas à imagem de Operação Valquíria, mas a avaliação do Blu-Rei é a de que se trata de puro nitpicking. O que temos aqui é uma transferência de alta qualidade, com a preservação da granulação do filme na quantidade certa e, sobretudo, uma preservação fiel das intenções dos cineastas quando da criação da obra.

Destacam-se na imagem os detalhes que revelam todos os valores de produção — desde figurinos perfeitos às filmagens em locação na Alemanha — e a paleta de cores escolhida por Singer para o filme, com uma predominância dos cinzas. Tonalidades estão bem representadas, e temos boa profundidade na imagem. Sinceramente, é preciso se esforçar para encontrar grandes defeitos aqui.

Som
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A trilha DTS-HD 5.1 traz toda a ambientação esperada de um filme novo, com uma mixagem competente no som surround que coloca o espectador literalmente no meio das cenas. Os diálogos soam com grande clareza e pequenos detalhes sonoros são preservados na trilha. Mas, como não há tantas cenas de ação, não chega a ser material para impressionar os vizinhos (exceto talvez pelas explosões de bombas, que podem acordar alguém no andar de baixo, dependendo do volume do home theater).

Lamentavelmente, uma trilha em português está ausente no disco.

Extras
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Este disco demonstra quanta coisa em HD cabe numa mídia blu-ray (e faz pensar se alguns lançamentos com dois discos realmente precisavam disso ou é apenas questão de status). A expectativa é sempre alta em se tratando de um filme fortemente ancorado em fatos reais, e o conteúdo extra não decepciona. Além de duas trilhas de comentários (uma pelos roteiristas Christopher McQuarrie e Nathan Alexander, e outra com Bryan Singer, Tom Cruise e McQuarrie), temos:

- The Journey to Valkyrie (1080i, 16 minutos) é uma narrativa de como surgiu a ideia para o filme e como ele foi produzido, com insights interessantes sobre as intenções dos cineastas.

- The Road to Resistance: A Visual Guide (1080i, 9 minutos) é um interessante guia das locações usadas nas filmagens de Operação Valquíria e dos lugares ligados ao líder militar da resistência a Hitler, apresentado por Philipp Von Schulthess (neto do verdadeiro coronel Stauffenberg).

- The African Front Sequence (1080i, 7 minutos) revela detalhes de como foi a filmagem das cenas de abertura do filme, que retratam uma batalha no norte da África.

- Taking to the Air (1080i, 7 minutos) apresenta os esforços feitos pelos cineastas em ter aviões de época verdadeiros, no ar e no solo, durante as filmagens, em vez de simplesmente recriá-los com CGI (o que seria a estratégia mais comum, hoje em dia).

- Recreating Berlin (1080i, 7 minutos) revela os esforços feitos pelos produtores para preservar a fidelidade à época em que se passa o filme (meados dos anos 1940), detalhando as negociações para filmar em locações em Berlim e outras partes da Alemanha.

- 92nd Street Y (480p, 39 minutos): Único conteúdo em definição standard  do disco, trata-se de uma entrevista com Tom Cruise e Bryan Singer feita num palco, com uma plateia. Pela natureza do formato, traz nuances interessantes a respeito da abordagem dos dois para o filme.

- The Valkyrie Legacy (1080p, 114 minutos) é a grande joia desta seção de extras: um documentário detalhado que aborda basicamente a história de verdade. Bastante completo, ele fala de como Hitler subiu ao poder, as razões que o povo alemão teve para apoiá-lo, como surgiram os cultos anti-semitas e de que maneira começou a surgir uma resistência secreta a seu governo, que culminou com a tentativa de golpe de Estado retratada em Operação Valquíria. Além dos fatos daquela época, o documentário também revela o peso que recaiu sobre os alemães após a derrota na Segunda Guerra e a revelação das atrocidades cometidas pelo regime nazista, que fizeram com que, gradualmente, os participantes da insurreição de 1944 parassem de ser vistos como traidores e começassem a representar a imagem dos verdadeiros humanistas e patriotas da Alemanha.

Totalizando: 160 minutos em HD, mais 39 minutos em SD. É coisa pra caramba, num disco só. O único senão — importante para o público brasileiro — é que não há legendas em português para nenhum dos extras. Para encará-los, é preciso domínio do inglês. O que pode ser frustrante para o consumidor: tanto conteúdo, ali, na cara dele, e faltam legendas para que ele possa apreciá-lo. 

No fim das contas
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Para o público fã de cinema, o filme em si merece no mínimo uma assistida. Para quem coleciona Blu-Ray, é um item que não pode faltar. Mas há alguns senões, ao menos para o público brasileiro. Operação Valquíria merecia uma edição mais nacionalizada, com menus em português e legendagem completa (para não falar de uma trilha dublada do filme). Infelizmente, o que temos aqui é a adaptação mínima ao mercado nacional, que acaba por sabotar grande parte do valor didático do filme. De toda forma, impressiona a quantidade de conteúdo no disco e, mesmo com seus defeitos, este é um lançamento bastante recomendável.

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3 Responses to “Resenha: Tom Cruise tenta matar Hitler em “Operação Valquíria””

  1. Bruno disse:

    Ótima resenha

    Estou no aguardo do meu BD

    :D

  2. Elisa disse:

    Tem alguma diferença de conteúdo do BD nacional para o americano? O DVD americano tem legendas em português no filme?

    Muito legal o site =)

  3. Os BDs americano e brasileiro são idênticos.
    Abraço,
    S.

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