O que é o Blu-Ray?
O Blu-Ray, ao contrário do que muitos pensam, não é um formato de video. É simplesmente um disco óptico de grande capacidade de armazenamento. É, portanto, o veículo pelo qual o filme de alta definição é armazenado e, depois, reproduzido nos aparelhos domésticos com ele compatível.
Para exemplificar, vamos analisar duas mídias mais conhecidas.
O CD (Compact Disc), utilizado em larga escala no mercado para distribuição de músicas e softwares de informática, tem capacidade para até 700mb (megabytes), o que comporta até 70 minutos de áudio no formato padrão de CD.
O DVD (Digital Versatile Disc), utilizado para distribuição de filmes e, também, para softwares de informática mais pesados, tem capacidade máxima de 9,4GB (gigabytes), o que corresponde a 13 vezes a capacidade de armazenamento do CD.
Já o Blu-Ray tem capacidade para 50GB (gigabytes), o que corresponde a 5 vezes a capacidade do DVD. O disco consegue atingir essa enorme capacidade pois sua leitura é feita através de um laser azul, muito mais preciso do que o laser vermelho utilizado para leitura de CDs e DVDs. Aliás, o nome “Blu-Ray” nasceu justamente do lazer azul; sua tradução literal é “raio azul”.
FORMATO DE VIDEO
O DVD, lançado no mercado internacional em 1997, foi o maior sucesso na distribuição de home video. A versatilidade do disco, igual ao CD, e excelente capacidade de video e áudio desbancaram rapidamente o VHS, média distribuída em tape, com qualidade (hoje) medíocre de video e áudio, e baixa durabilidade.
O DVD suporta a resolução máxima de 720 linhas horizontais e 480 linhas verticais (720×480, mais utilizado como 480p, termo esse que será utilizado neste texto). O áudio pode ser no formato Dolby Digital ou DTS, em até 6 canais independentes. Em suma, o DVD proporciona excelente imagem e som.
Mesmo com esse padrão de excelência, é possível melhorar?
A resposta é sim, através do Blu-Ray.
O DVD, embora ótimo, é uma tecnologia com 12 anos de idade. Muito se aprimorou nos últimos anos com relação à qualidade da imagem das TVs, principalmente com o advento da Alta Definição (High Definition), que suportam resolução de 1280×720 (720p) e, até mesmo, 1920×1080 (1080p); esta última denominada “Full HD”.
Com a imagem cristalina das TVs atuais (desde que nos padrões acima), a idade do DVD começa a aparecer. Resolução baixa (para esse padrão de TV), cores fracas e pouco fiéis, pouca nitidez, artefatos digitais (aqueles bloquinhos que compõem a imagem) etc.
O Blu-Ray, por seu turno, comporta video de Alta Definição, que aproveita ao máximo as TVs com ele compatíveis, principalmente as Full-HD com 1080p.
A diferença de qualidade, embora não tão evidente quando à comparação entre DVD e VHS, é considerável.
O Blu-Ray, ao contrário do DVD, permite que o filme seja a mais próxima réplica da película original. Nitidez, profundidade, textura e fidelidade de cores são os pontos altos dessa tecnologia. O DVD tem ótima resolução de imagem, mas peca nos quesitos acima. Por melhor que o DVD seja, a experiência fica aquém da exibida no cinema (não pelo tamanho da tela, óbvio; mas pela representação fiel do que se viu no cinema).
Como dito acima, o nome Blu-Ray identifica a mídia, não o formato de vídeo. Para compreender este último, a análise passa a ser mais técnica, o que não é do intuito deste texto introdutório. Nada obstante, para ajudar aqueles que pretendem uma pesquisa aprofundada pela internet, o formato de vídeo do Blu-Ray é hoje proporcionado por 3 codecs (tecnologia de compressão de vídeo): Mpeg-2, VC-1 e AVC. Os últimos dois são os mais comuns. A questão não é pacífica entre os debates de qual o formato é o melhor, mas há quem diga com propriedade que o AVC (utilizado pela Sony, Disney dentre outras) oferece qualidade marginalmente superior ao VC-1 (utilizado pela Warner e pela Paramount). Ao final, o que é importante deixar claro é que todos esses formatos oferecem imagem de alta definição, de 1920×1080 linhas progressivas, ou simplesmente 1080p.
Em resumo:
Mpeg-2 – é o mesmo codec utilizado pelos DVDs, mas com a vantagem de operar com níveis de compressão bem mais baixos e com melhorias de definição, em função da maior capacidade de dados do disco Blu-Ray, onde exibe a resolução padrão de alta definição, 1080p.
AVC – uma variante do formato de video Mpeg-4, também chamado de H.264. ACV é a abreviatura de Advanced Video Coding. É utilizado, dentre outras distribuidoras, pela Sony e Disney.
VC-1 – desenvolvido pela Microsoft, é um dos codecs para video de alta definição. É utilizado, dentre outras distribuidoras, pela Warner e Paramount.
A escolha do CODEC depende de vários fatores, sendo os determinantes o custo de licença e a qualidade final do video dependendo da metragem do filme. Discos Blu-Ray com video codificado em MPEG-2 comportam aproximadamente duas horas de reprodução em alta definição em um disco de camada simples (25 GB). Já os codecs mais avançados, AVC e VC-1, conseguem dobrar o tempo de reprodução mantendo a mesma qualidade de imagem.
FORMATO DE ÁUDIO
Bom, além da imagem, como o Blu-Ray se sai com relação ao som?
Da mesma forma que a imagem, o Blu-Ray também comporta áudio em alta resolução, com maior fidelidade do que o áudio de CDs e DVDs. No entanto, antes de prosseguir, é importante deixar claro que, para obtenção do máximo poder de áudio que o Blu-Ray oferece, ainda é necessária a aquisição de equipamentos de som que ainda estão em altíssimo patamar de preço no mercado. Atualmente, um home-theater de boa qualidade, já compatível com DVD, já oferece uma excelente qualidade sonora para desfrutar um filme em Blu-Ray, principalmente levando-se em conta que boa parte dos consumidores moram em áreas residenciais, com médio tamanho de sala de televisão e certamente não desejam problemas com os vizinhos.
Bom, para entender os formatos de áudio do Blu-Ray, melhor começarmos pelos formatos do DVD, para um início de compreensão sobre esse tópico.
O formato mais comum de áudio nos DVDs é o Dolby Digital 5.1. É um formato de áudio digital, criado pelo Laboratório Dolby, de alta qualidade e que comporta 6 canais independentes de áudio, que serão distribuídos pelas caixas de som do Home Theater, proporcionando uma experiência tridimensional, com som sendo reproduzido a frente, às laterais e atrás do expectador. Alguns filmes também oferecem uma variante desse formato, denominado Dolby Digital EX, que oferece 7 canais de áudio.
Outro formato utilizado pelo DVD é o DTS que, assim como o Dolby Digital, também oferece 6 canais de áudio, mas com qualidade um pouco superior, pois utiliza maior espaço físico no disco. Também possui uma variante denominada DTS-ES, que proporciona 7 canais de áudio.
Já o Blu-Ray pode apresentar também esses dois formatos acima (Dolby Digital e DTS), iguais aos do DVD, como também os formatos próprios de áudio de alta resolução: Dolby TrueHD; DTS-MA e PCM 5.1.
Estes três formatos utilizam maior frequência e resolução sonora de áudio, com menor compressão de dados e, portanto, oferecem uma maior fidelidade do som, praticamente igual à oferecida nos cinemas, senão até mesmo melhor.
No entanto, como já informado, para usufruir esses formatos de áudio, são necessários equipamentos de áudio ainda pouco comuns no mercado e com preços altíssimos, que só valem a pena para verdadeiros entusiastas de home theater com alto poder aquisitivo e, mais importante, uma grande sala de televisão que comporte essa estrutura.
Para o público em geral, um bom home theater compatível com Dolby Digital e DTS já oferece uma excepcional qualidade de áudio, sem perda considerável na experiência sonora.
Vale lembrar que esses formatos são absolutamente compatíveis entre si. Para quem não tem um home theater próprio para Blu-Ray, o áudio Dolby TrueHD será convertido para Dolby Digital 5.1 (igual ao DVD), assim como o DTS-MA será convertido também para DTS 5.1.
Em resumo:
PCM 5.1: 5.1: suporta áudio de 24-bit em até 6 canais de áudio independentes em 96 kHz, sem compressão. A taxa de amostragem é de 6 Mbit/s para Blu-Ray.
Dolby Digital 5.1: suporta áudio de 24-bit em até 6 canais de áudio independentes em 48 kHz, com compressão. A taxa de amostragem é de 448 Kbit/s para DVDs e 640 Kbit/s para Blu-Ray.
Dolby Digital EX: suporta áudio de 24-bit em até 7 canais de áudio independentes em 48 kHz, com compressão. A taxa de amostragem é de 448 Kbit/s para DVDs e 640 Kbit/s para Blu-Ray.
Dolby Digital TrueHD: suporta áudio de 24 bit em até 8 canais de áudio independentes em 96 kHz (ótima qualidade), ou até 6 canais em 192 kHz (excelente qualidade). A taxa de amostragem é de 18 Mbit/s.
DTS 5.1 – suporta áudio de 24-bit em até 6 canais de áudio independentes em 48 kHz, com compressão. A taxa de amostragem é de 1,536 kbit/s para DVD e Blu-Ray. É muito comum a taxa de amostragem ser reduzida para 768 kbit/s em DVDs, para que o disco comporte outros canais de áudio, principalmente em outros idiomas.
DTS-ES – suporta áudio de 24-bit em até 7 canais de áudio independentes em 48 kHz, com compressão. A taxa de amostragem é de 1,536 kbit/s para DVD e Blu-Ray. É muito comum a taxa de amostragem ser reduzida para 768 kbit/s em DVDs, para que o disco comporte outros canais de áudio, principalmente em outros idiomas.
DTS-HD Master Audio: suporta áudio de 24 bit em até 8 canais de áudio independentes em 96 kHz (ótima qualidade), ou até 2 canais em 192 kHz (excelente qualidade). A taxa de amostragem é de 24,5 Mbit/s.
Os discos Blu-Ray atuais estão optando pelo formato DTS-HD Master Audio, cada dia mais cumum nos lançamentos, pois oferece a melhor qualidade possível com adequada taxa de compressão, sem comprometimentos na qualidade.
O formato PCM-5.1, muito utilizado nos primeiros discos, praticamente deixou de ser adotado.
OUTROS DIFERENCIAIS
A publicidade em torno do Blu-Ray explora muito a questão da alta qualidade de imagem e som, mas não raro se esquece de outras interessantes características do formato.
Uma função muito bacana no Blu-Ray é a possibilidade de acessar os menus (seleção de cenas, áudio, legendas etc) sem sair do filme.
No DVD, o filme deve ser interrompido para acessar os menus e, não raro, não se permite o retorno de onde se parou.
No Blu-Ray, o menu acessível durante o filme é discreto, ocupando o campo inferior da tela e é navegável enquanto o filme é reproduzido, sem qualquer interrupção.
Outra função que merece destaque é o PIP, a possibilidade de apresentar simultaneamente dois conteúdos de filmes na mesma tela, um ocupando a maior parte do campo e o outro ocupando uma pequena janela. Essa função é muito útil para os extras de bastidores de filmes e comentários de vídeo com o diretor, atores etc.
Mas é importante frisar que essa função, hoje comum nos novos aparelhos (padrão Blu-Ray 1.1), não é diretamente compatível com os primeiros aparelhos de Blu-Ray. Estes dependem de atualização no sistema, o que é feito com cabo de rede (baixando da internet a atualização) ou através de pendrive.
O mesmo com relação ao mais novo padrão, Blu-Ray 2.0, que permite o acesso de conteúdo na internet. Novos documentários, entrevistas e bate-papos podem ser acessados da internet através dos disco Blu-Ray do respectivo filme. Essa função também é nova e está disponível em determinados novos aparelhos. Alguns equipamentos mais antigos dependem de atualização de sistema (internet, pendrive etc).
Para não provocar receio aos consumidores aderentes ao Blu-Ray, o padrão 2.0 é oficialmente considerado a versão final da tecnologia.
Conclusão
Embora possa se viver perfeitamente com o DVD, a tecnologia do Blu-Ray oferece, hoje, uma alternativa muito interessante, com superior qualidade de imagem e som, o que fica fantástico em uma TV de alta definição e com um bom home-theater.
O mercado, principalmente o internacional, busca a substituição gradual do DVD pelo Blu-Ray nos próximos anos, momento que este deixará de ser uma alternativa e se tornará padrão de consumo.
O sucesso depende não só da redução de preços, mas principalmente da aceitação pelos consumidores.
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Parabéns , adorei!!!
Vou ler mais algumas vezes para entender o que escapou!!!!
Abraços
Sonia
Grande Luiz Felipe!
Excelente e esclarecedora matéria. Demonstra que as duas mídias, DVD e BD, ainda têm um longo tempo de convivência pacífica.
Interessante a exposição que a trilha DTS padrão satisfaz plenamente quem não dispõe de audição superprivilegiada. Pelo menos é assim lá em casa, ainda vai levar um bom tempinho para trocar o HT por algum que decodifique o DTS-MA. Enquanto isso, BD só com DTS 5.1 mesmo.
Abraços!
Alguém sabe me dizer qual padrão Blu-ray o Playstation 3 oferece?
1.1 ou 2.0?
Agradeço a resposta e parabéns por esse artigo muito esclarecedor!
PS3 tem profile 2.0. E é considerado por muitos como a mais completa opção de player, comparando preços (uma das grandes vantagens, além do profile 2.0, é o wi-fi). E você leva um video-game de bônus!