Resenha: “2010″ é boa ficção sob uma cruel comparação

29 dUTC junho, 2009, por Salvador Nogueira
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2010-capaAté mesmo o escritor britânico Arthur C. Clarke reconheceu que seria complicadíssimo escrever uma continuação para o clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço. Durante anos, ele resistiu a produzir qualquer coisa só para capitalizar em cima do primeiro filme, escrito em parceria com o gênio cinematográfico Stanley Kubrick. Mais de uma década depois, veio a ideia para uma continuação. E a decisão de levar o novo livro para as telas ficou a cargo do one-man show Peter Hyams, que adaptou, editou, dirigiu e ficou a cargo da fotografia do novo filme. Ruim ele não é, mas as comparações com 2001 são tão inevitáveis quanto covardes.

2010: O Ano em que Faremos Contato (1984)
2010: The Year We Make Contact
MGM (Warner Home Video)
De Peter Hyams
Com Roy Scheider, John Lithgow, Helen Mirren, Bob Balaban e Keir Dullea
116 minutos

Vídeo: 1080p, 2,40:1
Áudio: Inglês (Dolby TrueHD 5.1), Inglês, Francês, Alemão, Espanhol (Dolby Digital 5.1), Italiano (Dolby Digital 2.0), Português (Dolby Digital Mono)
Legendas: Inglês, Francês, Espanhol, Dinamarquês, Holandês, Finlandês, Alemão, Italiano, Norueguês, Português, Sueco
Edição: Brasileira ou Americana

O Filme
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2010 começa com uma visita de um representante russo ao Dr. Helwood Floyd (Roy Scheider), que anos antes havia sido responsável pelo envio da malfadada missão da Discovery a Júpiter. O russo conta que seu governo está pronto para despachar uma missão até o planeta gigante, a fim de desvendar o mistério por trás do monolito gigante descoberto lá. Ocorre que, caso os russos não saibam o que houve com a Discovery, poderiam ter o mesmo fim. Daí a consulta a Floyd.

As respostas podem estar todas guardadas na memória do computador HAL-9000, desligado após um mal-funcionamento que precipitou a tragédia da Discovery. Em vista disso, os russos decidem levar um trio de americanos a bordo da Leonov, para “ressuscitar” HAL e colaborar na missão. Enquanto eles rumam para Júpiter, na Terra o estado de tensão entre Estados Unidos e União Soviética atinge proporções que colocam as duas superpotências à beira de uma guerra nuclear.

A “batida” de 2010 é completamente diferente da de 2001. Enquanto o clássico de Kubrick tinha um ar introspectivo e filosófico, a adaptação de Hyams traz um visual muito mais próximo de uma ficção de aventura convencional. Por conta disso, as comparações entre um e outro são tão cruéis. Enquanto o primeiro é uma referência histórica imprescindível aos estudiosos do cinema, o segundo é um filme que pouco agrega ao legado cinematográfico. Em compensação, é quase irresistível “fazer uma consulta” a 2010, depois de todas as perguntas não-respondidas deixadas pelo primeiro filme. Apesar do esquemão tradicional, as respostas trazidas pelo filme de Hyams são satisfatórias e fascinantes. E, do ponto de vista científico, a obra se sustenta como uma bela sequência a 2001, ainda que mais pedestre. Quem curte ficção científica não pode deixar de ver.

Imagem
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Infelizmente, o tratamento da Warner neste lançamento foi tão “catálogo” quanto possível. Enquanto a edição em Blu-Ray de 2001 recebeu uma remasterização que dá a impressão de que o filme foi produzido ontem (realçando ainda mais os valores de produção da obra-prima de Stanley Kubrick), 2010 é tratado como gado, por assim dizer, na hora da masterização para o disco do raio azul.

O descaso é visível em vários segmentos — no comecinho, por exemplo, as imagens estáticas que fazem o “resumo” de 2001 claramente “sacodem” para lá e para cá, um problema que poderia ter sido facilmente corrigido e daria maior qualidade de apresentação ao filme. Em cenas espaciais muito escuras, vemos artefatos de compactação de vídeo — fenômeno que deveria, por regra, ser excluído de qualquer lançamento top em Blu-Ray. E a qualidade do filme varia de trecho para trecho — em alguns, temos excesso de ruído, noutros temos tratamento contra granulação tão agressivo que tira detalhes da imagem. Faltou, de fato, um carinho maior por parte da distribuidora na hora de masterizar esse disco. Certamente os fãs de 2010 esperavam mais. Apesar disso tudo, o disco ainda representa uma melhoria sensível sobre a versão de baixa resolução em DVD.

Áudio
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Uma competente trilha Dolby TrueHD em inglês faz o filme soar melhor do que nunca. Mas que ninguém espere um espetáculo auditivo aqui. A maior parte da ação acontece nos canais frontais, com os diálogos entre os personagens. É um filme bastante falado, e o surround ajuda apenas na ambientação.

Para quem gosta de versão dublada, uma boa e uma má notícia: há uma trilha em português, mas ela tem a qualidade mínima — Dolby Digital Mono. Só recomendada aos que absolutamente odeiam legendas.

Extras
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Quase nada neste disco, que não possui menus em português. Temos apenas:

- 2010: The Odyssey Continues (9 minutos, 480p) é um documentário produzido na época do próprio filme que conta os bastidores da produção. Melhor que nada, mas carece da profundidade que os assuntos abordados pelo filme mereceria.

- Theatrical Trailer (2 minutos, 480p) é o trailer de cinema do filme.

No fim das contas
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2010: O Ano em que Faremos Contato é uma obra interessante, que agora chega em Blu-Ray com o mínimo necessário para fazer valer a compra. Se você é um fã dessa continuação de 2001, ou mesmo de ficção científica séria, vale a pena. Mas não espere aqui um lançamento de altíssima qualidade. Fica a torcida para que, chegando o ano que vem (2010), a Warner se anime a fazer uma nova edição, mais vultosa. Infelizmente, a julgar pela popularidade do filme de Peter Hyams, eu não apostaria muitas fichas nisso.

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