Resenha: “10.000 a.C” é samba-do-crioulo-doido pré-histórico

15 dUTC junho, 2009, por Salvador Nogueira
1 Comentário - Arquivado em: Resenhas

10000ac-capaRoland Emmerich é um diretor famoso pelas inspirações quase-científicas que movem seus filmes blockbuster. Independence Day e O Dia Depois de Amanhã estão aí para não me deixar mentir. Mas, para completar o que seria uma trilogia de inspiração sci-fi, ele fugiu dos temas contemporâneos e se voltou para a pré-história: desta vez, seu esforço é criar uma aventura nos primórdios da civilização, 12 mil anos atrás. Os resultados são questionáveis.

10.000 a.C (2008)
10.000 B.C.
Warner Bros. Pictures
De Roland Emmerich
Com Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis e Joel Virgel
108 minutos

Vídeo: 1080p, 2,40:1
Áudio:
Inglês (Dolby TrueHD 5.1), Inglês, Português, Espanhol, Francês, Alemão e Italiano (Dolby Digital 5.1)
Legendas:
Inglês, Português, Espanhol, Holandês, Dinamarquês, Alemão, Finlandês, Francês, Italiano
Edição:
Brasileira

O filme
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10.000 a.C. conta a história de uma tribo de caçadores coletores que é devastada pelo ataque de um grupo humano aparentemente muito mais avançado. A maioria dos membros da tribo é levada para ser escravizada, incluindo Evolet, uma jovem de olhos azuis cobiçada que é a paixão de D’Leh, um dos poucos a escapar do ataque devastador. Cabe a ele agora liderar um grupo com uns poucos sobreviventes para promover o resgate de seu povo.

Mesmo desconsiderando o fato de que o filme é pouco acurado cientificamente (vemos lá uma civilização que está construindo pirâmides pelo menos seis mil anos antes do que deveria!), não resta muito a ser elogiado. A tentativa de recriar o modo de vida, os costumes e a mitologia dos caçadores coletores da pré-história é louvável, mas insuficiente para fazer um bom filme.

O que resta são efeitos visuais convincentes com animais que viviam naquela época e um cenário cheio de imagens bonitas, mas não muito para chamar de história. Vale uma olhada, decerto, mas é difícil este filme se tornar o grande favorito de alguém.

Imagem
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Não é o filme mais espetacular que você já viu em Blu-Ray, mas temos aqui uma transferência respeitável feita pela Warner. Muitos detalhes emergem da imagem fornecendo melhora significativa com relação ao DVD. A paleta de cores, escolhida cuidadosamente por Emmerich para criar a ambientação do filme, com muitas cenas noturnas e um predomínio do azul, está bem representada. Temos ótimo contraste e níveis de preto bem definidos.

Claro, uma manada de mamutes em disparada ou um tigre dente-de-sagre prestes a atacar ajudam a enriquecer o espetáculo visual, assim como inúmeros escravos construindo pirâmides gigantescas, e decerto justificam os elogios que o filme ganha por sua versão em alta definição.

O áudio
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Possivelmente o maior destaque do disco, o áudio original em inglês TrueHD 5.1 dá vida às inúmeras sequências de ação de 10.000 a.C. A ambientação proporcionada pelos canais surround coloca o telespectador no meio de uma caçada de mamutes, para ficar apenas no primeiro destaque da trilha. Também vale elogiar aqui a presença de áudio em português (Dolby Digital 5.1.). Embora longe da qualidade da trilha TrueHD em inglês, é bom ver discos completamente “aclimatados” ao Brasil.

Extras
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Dá para ficar umas boas duas horas vendo extras com esse disco, mas não chega a haver grande variedade. Como não temos menus em português, os títulos dos extras figuram aqui em inglês.

- A Wild and Wooly Ride (480p, 13 min) é um pequeno documentário que fala sobre a recriação dos principais elementos de efeitos visuais do filme. Desde os mamutes em CGI até os modelos físicos em escala das pirâmides, está tudo coberto aqui.

- Inspiring an Epic (480p, 13 min) fala de onde saíram as inspirações científicas (?) de Roland Emmerich para o filme. Especialmente curiosa é a “defesa” do uso de uma civilização avançada como os vilões, baseada numa hipótese maluca de um escritor chamado Graham Hancock, sobre a possibilidade da existência de uma civilização avançada na pré-história que acabou completamente esquecida. Enfim, conversa fiada, meio na linha Eram os deuses astronautas?.

- Journey to 10.000 BC (480p, 90 min) é um documentário longo do History Channel que fala basicamente da coisa mais interessante que estava acontecendo naquela época no mundo — o início da colonização da América pelos paleoíndios. Quem manja do assunto sabe que há muita controvérsia sobre quando e como a América passou a ser um continente ocupado, e por quem. O documentário até deixa isso claro, ao apresentar várias hipóteses diferentes. Mas a fluidez dá a entender que a coisa está mais resolvida do que na realidade está. É bom entretenimento, mas eu não confiaria nele como referência do consenso científico sobre o assunto.

- Exciting alternate ending (480p, 3 min) mostra apenas que o narrador da história (interpretado por Omar Shariff) era na verdade Baku, que é visto como um menino que acompanha D’Leh ao longo do filme. Nada especialmente marcante (ou exciting), e a baixa resolução, acompanhada pelo aspecto inacabado de muitas cenas, acabam baixando o valor deste conteúdo.

- Awesome additional scenes (480p, 10 min) traz nove cenas que não fizeram falta alguma no corte final do filme. Nada demais aqui também.

No fim das contas
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Quem for apreciador de precisão histórica não deveria nem cogitar se arriscar neste aqui. Mas se a procura é por uma aventura descompromissada em alguns cenários espetaculares com cara de pré-história, 10.000 a.C. entrega. O visual é bem tratado com uma imagem de boa qualidade em alta resolução e uma mixagem de áudio excelente. Só não espere que a qualidade técnica fará você querer ver e rever repetidas vezes este filme, que é possivelmente o mais esquecível da “trilogia científica” de Roland Emmerich.

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One Response to “Resenha: “10.000 a.C” é samba-do-crioulo-doido pré-histórico”

  1. Mauro disse:

    Esse é um filme que já vi em DVD e não me arrisco a chegar perto do blu ray………..

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