De onde sai o preço dos discos Blu-Ray?
Esta é uma pergunta que intriga e enerva os entusiastas da alta definição no Brasil: de onde saem os preços ridiculamente altos dos discos Blu-Ray por aqui? O Blu-Rei tentará agora dar uma resposta a esse enigma.
Na verdade, daremos duas respostas. A longa e a curta.
Primeiro a menor: porque os estúdios e distribuidores querem que o preço seja este. E ponto final.
Pode parecer besta, mas é exatamente isso o que acontece. E aí entramos na resposta longa, que tenta “embelezar” a triste realidade. Mergulhamos nas entranhas do mundo do marketing e da publicidade, com seus jargões de público-alvo, alcance, potencial de mercado etc.
Primeiro de tudo, vamos aos fatos.
Os discos Blu-Ray comercializados no Brasil não são fabricados por aqui. São feitos em diversos lugares do mundo (que vão desde os países da Ásia até o Ocidente rico), trazidos para cá, empacotados na Zona Franca de Manaus e vendidos como se fossem produtos da indústria brasileira. Mas o material mais importante — o conteúdo — é feito lá fora e precisa enfrentar as famigeradas taxas de importação do governo brasileiro antes de chegar às suas mãos.
Essa é uma das razões apontadas pelos estúdios para o alto custo da mídia de alta definição. Mas é um argumento que não se sustenta, e quem já tentou importar diretamente discos do exterior vê de cara a real situação: comprando lá fora e pagando as taxas da aduana brasileira, o valor final sai inferior ao pago pelo produto aqui dentro.
De um lado, precisamos lembrar que o distribuidor local precisa embutir seu lucro no produto “nacionalizado”, de forma a torná-lo mais caro do que o “importado puro-sangue”. Mas, por outro lado (e essa parte da equação costuma ser omitida pelos distribuidores), o preço pago pela mídia importada para a nacionalização em Manaus é muito menor do que o que pagamos pelo importado puro-sangue. Ou você acha que a Warner do Brasil paga o mesmo preço que a gente paga na Amazon.com para comprar cada disco lá fora?
Ainda assim, existe uma lenda de que, quando a produção dos discos for completamente nacionalizada, com a criação de uma fábrica capaz de prensar Blu-Rays em solo brasileiro, os preços tendem a cair. Será?
Entra em cena um segundo elemento, que joga contra a produção nacional, mas é pouco mencionado: fator de escala.
Enquanto o disco americano for o mesmo que vai para o mercado brasileiro, o custo por unidade é um, levando em conta a grande quantidade de cópias prensadas para atender ambos os mercados.
Quando passarmos a fabricar os discos no Brasil, o custo por unidade será outro, pois pelo menos de início a fabricação deve ser voltada somente para o (pífio) mercado nacional. Não surpreende, portanto, que ninguém tenha tido coragem para montar essa fábrica até agora. No momento, ela não tornaria o produto realmente mais barato.
Chegamos, com isso, ao cerne da questão. Não é a importação ou a ausência de uma fábrica nacional que fazem o preço de um lançamento em Blu-Ray custar R$ 90 a R$ 100 no Brasil. O que determina o preço é a imagem que os marqueteiros têm do “típico consumidor brasileiro de Blu-Ray”.
Esta figura lendária seria um sujeito da classe A ou, na pior da pior das hipóteses, da classe B, que tem um apreço especial por equipamentos de áudio e vídeo de ponta e certamente já tem em casa um display de alta definição (pobre tem TV, rico tem display!), possivelmente um bom home theater e, claro, é um inveterado early adopter (termo usado para descrever quem gosta de surfar na crista da onda das novidades tecnológicas). Ora, todo mundo sabe que essas criaturas, por sua natureza early adopter, costumam pagar o preço que for necessário. Em outras palavras, este público é por natureza elitizado e incapaz de retardar o consumo na esperança de ver os custos caírem.
São sujeitos que pagariam, sem medo, R$ 60 num DVD. Pagariam, portanto, R$ 100 num Blu-Ray, produto superior e visto naturalmente como mais caro, por ser mais novo e ter mercado reduzido. E daí sai o preço dos discos — da noção de que quem irá comprá-los topará pagar essa pequena fortuna por um filme ou show em alta definição.
Essa seria a base, pensaram os executivos, para iniciar uma lenta e gradual sobreposição do Blu-Ray sobre o DVD, começando pelo topo e se espalhando lentamente pelo resto da pirâmide populacional, acompanhada por uma gradual redução dos preços.
A pergunta que não quer calar é: será que está dando certo?
De um lado, há uma lenda de que o tempo de vida do Blu-Ray é curto, com a profecia dos downloads abundantes e instantâneos e o fim das mídias físicas, e de outro um elemento talvez inesperado: o early adopter descobriu rapidamente que o negócio é comprar os discos importados “puro-sangue”. Sai mais barato.
Com isso, os estúdios não ficam sabendo ao certo quanto estão vendendo no Brasil — pois boa parte do que vendem não sai da Zona Franca, mas de outros países, direto para a casa do consumidor. Por consequência, as empresas podem acabar, por ocasião de seus baixos números de venda, tendo uma visão equivocada, subestimada, do potencial do raio azul no país. O que, por sua vez, adia o início da queda dos preços.
Em suma, tudo conspira para um avanço muito lento e frustrante nesse setor. Basicamente porque, além de tudo, nenhum esforço de publicidade sério está sendo feito para levar o Blu-Ray além do consumidor típico já descrito. Ninguém se preocupou em elogiar as características da nova tecnologia que *não exigem* equipamento de alto calibre (como extras PiP ou menus na tela), o que seria o começo da conversa para popularizar o formato além do mercado early adopter.
Em suma, o Zé Povão não faz ideia do que estamos falando. E, enquanto ele não for devidamente informado e não se entusiasmar com a ideia, não sairemos do lugar.
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Parabéns pelo texto! Temos que nos mobilizar informando as pessoas. E este site é mais um posto avançado da resistência contra a ignorância.
Além do que vocês muito bem já colocaram, poderíamos citar também o mercado de locação que “astravanca o pogresso” do mercado, pois Blu-ray por R$100 é mais barato muitas vezes que um DVD rental. E a locação de um título em BD custa MAIS. Assim sendo, para as locadoras está muito bom assim. O sujeito aluga ao invés de comprar, pois o preço ta lá no alto e a locação, mesmo mais cara, é “pagável”.
O pior de tudo muitas pessoas criticam o Blu ray sem nunca visto um e “algumas” pessoas que defendem o formato dizem que quem não tem um BD Player com um “ROMETIATER” 7.1 e uma tv de 60″ esta vivendo no passado. Eu creio que o formato tem futuro, mas tem que haver um ponte de equilíbrio entre o mercado e consumidores. Parece o mesmo que ocorre com o DVD, as pessoas não compram DVD’s originais por que é caro, os DVD’s são caros por que as pessoas não compram.
David escreveu:
“as pessoas não compram DVD’s originais por que é caro, os DVD’s são caros por que as pessoas não compram.”
Esse efeito “Tostines” também se deve à facilidade e rapidez que a pessoa tem em comprar na rua.
Vai comprar na loja?
Então se prepare para a fila morosa e a burocracia de esperar pela nota fiscal.
Sem contar que quem compra trabalha.
Trabalhando, o horário livre para fazer compras é o do almoço.
Na rua economizo tempo e, por causa da pirataria, dinheiro.
Falta estratégia agressiva do mercado legal frente aos camelôs.
As lojas/distribuidoras deveriam tomar o lugar dos camelôs e vender os mesmos DVDs por um preço menor, ou seja, mais adequado à realidade social brasileira.
E um dos maiores obstáculos está bem descrito na matéria:
Carga Tributária: Cultura herdada das práticas coloniais históricas desta nação.
Quanto ao estabelecimento do Blu-Ray no Brasil, é questão de tempo.
A popularização do formato se dará independentemente da proliferação de tvs LCD/HD etc..
Brasileiro é assim, o importante é a modernidade do formato/estabilidade da imagem.
Qualidade da tv… Bom, isso pode esperar mais um pouco.
Eu creio que a massificação do formato no Brasil ainda não seja a espectativa das distribuidoras…. querem manter o dvd e o Blu-ray para classes sociais diferentes… sendo assim creio que a tendencia seja sempre o preço mais alto do Blu-ray pois mesmo quem pode apreciar a qualidade tem que possuir tv e leitor blu-ray… e claro muito fâ de cinema…. e Portanto… ainda o Formato nao está forçando a população a se incluir..pois mesmo em video locadoras o formato ainda nao é disponibilizado…..tem raras excessões….mas bem raras…
Tivemos que esperar quase quinze anos do lançamento do DVD para vermos filmes bons na faixa de R$12,00, se o mesmo acontecer com o blu ray: Feliz 2024 !!!!!!!!
Não vi vantagem no blu-ray. A imagem é igual a de um DVD.
“fim das mídias físicas”
Engraçado, parece que essa frase é dita por senhores moderninhos que não precisam fazer backup e tem uma velocidade de conexão tão boa quanto a dos japoneses. Enquanto as empresas deste lixão de país oferecem velocidades de 300, 512, 1MB, 2MB, 4MB, não se tem condições de decretar morte às mídias.